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DERMATOPATOLOGIA – PARTE 2: VOCABULÁRIO

Por Carolina Gonçalves Pires

Dermatopatologia é uma área da patologia especializada em exames anatomopatológicos da pele, sendo de responsabilidade do médico veterinário patologista, assim como quaisquer outras análises anatomopatológicas. Possui uma terminologia diferenciada, pois a maioria das alterações histopatológicas são observadas exclusivamente na pele. É um exame de grande valia para o auxilio no diagnóstico dermatológico. Microscopicamente é possível determinar o diagnóstico especifico de uma doença, eliminar alguns dos diagnósticos diferenciais clínicos, ou sugerir uma patogênese, mesmo se a entidade da doença específica for indeterminada.

Alterações epidérmicas:

Hiperqueratose: aumento da espessura do estrato córneo. Pode ser ortoqueratótica (anucleada) e paraqueratótica (nucleada). Entretanto há outros termos e expressões para descrever melhor as hiperqueratoses, tais como cesta serpiginosa (ex: dermatofitose e alterações endócrinas), compacta (ex: dermatoses liquenóide) e laminada (ex: ictiose). As hiperqueratose orto e paraqueratótica podem ser vistas alternadamente no estrato córneo sendo um achado não diagnóstico em qualquer dermatose crônica. Entretanto, a paraqueratose difusa está mais relacionada com ectoparasitismo, dermatose responsiva ao zinco, algumas dermatoses responsivas á vitamina A, talotoxicose, acrodermatite letal, dermatose alimentar, eritrema necrolítico e ocasionalmente dermatofitose e dermatofilose. Enquanto que a ortoqueratose difusa está relacionada às diversas enfermidades seborreicas, endocrinopatias, deficiências nutricionais e anormalidades do desenvolvimento.

Fig 1: Hiperqueratose ortoqueratótica (setas).
Fig 2: Hiperqueratose paraqueratótica (setas).

Hipoqueratose: diminuição da espessura do estrato córneo ocorre menos comumente que a hiperqueratose. Pode ser encontrada nos distúrbios cutâneos seborreicos e outros esfoliativos, ou em casos de preparo cirúrgico excessivo.

Hipergranulose e hipogranulose: aumento e diminuição da espessura do estrato granuloso. Ambas são comuns e não diagnósticas. Entretanto, a hipergranulose ocorre com frequência nas dermatites crônicas hiperplásicas.

Hiperplasia epidérmica (acantose): aumento da espessura da epiderme não cornificada devido ao maior número de células epidérmica. É uma característica comum e não diagnóstica de praticamente todo processo inflamatório crônico. Pode ser descrita como irregular, regular, psoriasiforme, papilomatosa e pseudo-carcinomatosa.

Fig 3: Acantose regular (setas).

Hipoplasia e atrofia: hipoplasia é a diminuição da espessura da epiderme não cornificada devido a diminuição do número de células. Atrofia também é a diminuição da epiderme não cornificada, porém devido a redução do tamanho da célula. São raras, mas são vistas ocasionalmente em dermatoses hormonais.

Necrose: refere-se à morte celular ou tissular de um organismo vivo. A necrose é identificada através das alterações nucleares que incluem a cariorrexe (fragmentação nuclear), a picnose (condensação nuclear com consequente hipercromatismo) e a cariólise (desintegração dos núcleos celulares durante o processo de morte celular). Em dermatologia clínica alguns exemplos de necrose ocorrem nas farmacodermias, infecções viróticas, bacterianas e fúngicas, dermatites liquenóide, queimaduras e necrose epidérmica metabólica.

Fig 4: Necrose (setas)

Disqueratose: queratinização defeituosa e prematura de células individuais. Pode ser visto em dematoses liquenóides, complexo pênfigo, dermatoses responsivas ao zinco, algumas dermatoses responsivas à vitamina A, dermatoses alimentares, papiloma, queratoacantoma, carcinoma de células escamosas e queratose actínica.

Apoptose: morte celular programada, caracterizada por picnose nuclear e fragmentação citoplasmática É característica das dermatoses de interface, como o lúpus eritematoso.

Espongiose: edema intercelular, entre os queratinócitos. O edema intercelular grave é capaz de levar à ruptura das pontes intercelulares e à formação de vesículas. É uma característica comum e não diagnóstica de toda dermatose inflamatória aguda e subaguda.

Edema intracelular (degeneração hidrópica, vacuolar ou balonosa): alteração degenerativa hidrópica dos queratinócitos. É uma característica comum e não diagnóstica de toda dermatose inflamatória aguda e subaguda.

Degeneração reticular: é alteração decorrente da confluência de várias células, com edema intracelular, resultando em formação de vesículas intraepidérmicas, multiloculares, sendo vista em qualquer toda dermatose inflamatória aguda e subaguda.

Acantólise: perda de coesão entre as células epidérmicas, causando fendas intraepidérmicas, vesículas e bolhas. É um achado importante nas doenças do grupo de pênfigos. Ocorrem, também, em alguns casos de dermatofitose, dermatite bacteriana e algumas neoplasias.

Fig 5: Células acantolíticas (seta)

Exocitose: presença de leucócitos ou eritrócitos nos espaços intercelulares, entre os queratinócitos da epiderme. Geralmente acompanha a espongiose. É uma característica comum e não diagnóstica de toda dermatose inflamatória.

Microvesículas, vesículas e bolhas: referem-se a pequenas cavidades intraepidérmicas ou na junção dermoepidérmica, preenchidas por fluido paucicelular ou acelular. São mais bem descritas por sua localização como subcorneais, intragranulares, intra-epidérmicas, supra – basilares, intrabasais ou subepidérmicas.

Pústula e microabscessos: coleção de células inflamatórias e fluido com localização intra ou subepidérmica. O conteúdo pode ser neutrofílico (infecções bacterianas), eosinofílico (ectoparasitoses e alergias), linfocitário (seborreia e linfoma epiteliotrópico) ou histiocitário (Histiocitoma).

Fig 6: Pústula subcórnea.

Hiperpigmentação (hipermelanose): quantidade excessiva de melanina depositada dentro da epiderme e com frequência simultaneamente nos melanófagos dérmicos. Pode ser focal ou difusa e confinada ao estrato basal ou presente por todas as camadas epidérmicas. É um achado comum, não diagnóstico nas dermatoses crônicas inflamatórias e hormonais, e em alguns distúrbios do desenvolvimento e neoplásicos.

Hipopigmentação (hipomelanose): refere-se a quantidades diminuídas de melanina na epiderme. Pode estar associada a alterações congênitas, adquiridas ou idiopáticas no processo de melanização. Pode ocorrer devido a efeitos tóxicos de substâncias químicas por sobre o melanócitos, distúrbios inflamatórios, algumas dermatoses hormonais e dermatoses que ocasionam degeneração hidrópica de células basais com incontinência de pigmento melânico (lúpus eritematoso).

Crosta: massa superficial composta de combinações variadas de queratina, soro, resíduos celulares e quase sempre microrganismos. Podem ser hemorrágicas, serosas, celulares, sorocelulares e paliçada. Indicam apenas um processo exsudativo anterior e raramente tem diagnostico significativo. Devem ser sempre investigadas, pois podem dispor de elementos diagnósticos como esporos, hifas de dermatófitos e queratinócitos acantolíticos.

Cistos córneos e pérolas córneas: os cistos córneos são estruturas císticas, múltiplas, pequenas circulares, formada por células epiteliais achatadas que contêm queratina em arranjo concêntrico e lamelar. São característicos de neoplasias dos folículos pilosos e neoplasias basocelulares. As pérolas córneas são camadas concêntricas de células descamadas superpostas, frequentemente acompanhadas de atipia celular, mitoses e disqueratose isolada ou confluente. São típicas do carcinoma de células escamosas e hiperplasia pseudocarcinomatosa.

Mastócitos epidérmicos: são frequentemente encontrados dentro da epiderme e bainha da raiz exterior do folículo piloso em amostras de biopsia de gatos com dermatoses inflamatórias. São mais comumente ligados a doenças de origem alérgica ou imunomediada, principalmente em naquelas com eosinofilia tecidual.

 

Referências

CONCEIÇÃO L,G.; Biópsia tegumentar. In: LARSSON C, E.; LUCAS R Tratado de Medicina Externa Dermatologia Veterinária . São Paulo, Interbook, p143-149, 2016.

SCOTT, D.W; MILLER, W.H; GRIFFIN, C.E; Métodos de diagnostic. In: Dermatologia de Pequenos Animais, 5° ed. Rio de Janeiro, Interlivros, p 105-155 1996.

 

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