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Glaucoma: Qual o impacto na vida do paciente?

 

Por Verena Voget

Glaucoma é um grupo de doenças neurodegenerativas em que se tem a perda da integridade e função das células ganglionares da retina e de seus axônios, que formam o nervo óptico, resultando em perda da visão. A doença neurodegenerativa nos animais vem acompanhada do aumento da pressão intraocular (PIO).

A PIO é pressão exercida pelo humor aquoso e vítreo dentro do olho. O humor aquoso é um fluido presente no segmento anterior que é produzido no corpo ciliar, flui pela pupila e é drenado no ângulo iridocorneano. O vítreo é um gel que preenche o segmento posterior do bulbo ocular (figura 1). Quando há um impedimento do fluxo do humor aquoso a PIO aumenta resultando em glaucoma, que pode ser primário ou secundário.

Figura 1: Fluxo do humor aquoso. Fonte: faculty.washington.edu/chudler/glaucoma.html

No glaucoma primário o impedimento do fluxo do humor aquoso ocorre por uma má formação das estruturas do ângulo iridocorneano, o que é identificado histologicamente como goniodisgenesia. Esse tipo de glaucoma é bilateral assimétrico, ou seja, a doença inicia-se em um olho e, após algum tempo, o olho contralateral também desenvolve glaucoma.

O glaucoma secundário pode ser tanto unilateral como bilateral e ocorre por causas adquiridas do impedimento do fluxo do humor aquoso que também podem ser identificadas durante o exame histopatológico como:

– Sequelas de doenças intraoculares em que se tem a formação de membranas fibrovasculares;
– Obliteração da malha trabecular por células inflamatórias;
– Sinéquias;
– Obliteração do ângulo por neoplasia (figura 2 e 3).

Figura 2: Fotomicrografia de melanoma uveal invadindo ângulo iridocorneano.
Figura 3: Fotomicrografia de melanoma uveal invadindo ângulo iridocorneano em maior aumento.

Além da dificuldade para controlar a doença e do desconforto ocular que causa ao paciente, o glaucoma é uma razão comum para a enucleação quando há perda de visão. O envio do olho enucleado para exame histopatológico é fundamental tanto para esclarecimento da causa da doença, como para prever um possível glaucoma no outro olho. Vamos então ilustrar isso com exemplos práticos.

Imagine que um paciente teve um dos olhos enucleado e a goniodisgenesia foi visibilizada durante a avaliação histopatológica. Assim, o outro olho provavelmente também apresenta essa má formação e eventualmente terá a drenagem do humor aquoso prejudicada ao longo dos anos. Sabendo disso, o oftalmologista poderia iniciar a medicação para o olho remanescente, o que provavelmente aumentaria o tempo em que esse olho permaneceria visual e sem manifestações clínicas. Este é um exemplo de glaucoma primário.

Agora, em outro exemplo, vamos supor que, ao invés de goniodisgenesia, o olho enucleado apresentava o ângulo iridocorneano obstruído por neoplasia maligna. Neste caso, o glaucoma seria secundário e causado por um câncer diagnosticado através do exame histopatológico. As condutas cabíveis dependeriam, naturalmente, do tipo de câncer.

Como esses exemplos mostram, o exame histopatológico é chave para o diagnóstico e implica diretamente nas condutas clínicas que podem melhorar a qualidade de vida dos nossos pacientes.

Fontes:

PLUMMER C.E.; REGNIER, A.; GELATT, K.N. In: GELATT, K.N. Veterinary Ophthalmology, 5ed., Blackwell Publishing, cap.19, p. 1005-1145, 2013.

DUBIELZIG, R.R.; KETRING, K.; McLELLAN, G.J.; ALBERT, D.M. Veterinary Ocular Pathology a Comparative Review, Blackwell Publishing, cap.13, p. 419-448, 2010.

 

 

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